domingo, 27 de junho de 2010

(A)parte

Decidi interromper a minha pseudo-história pois estou deprimida com uma bimbada qualquer. Acabei de sair do banho e ainda estou com uma toalha na cabeça e outra no corpo, mas mesmo estou aqui a escrever. Talvez seja a adolescencia que me faça reclamar com tudo, ou secalhar sou mesmo eu que sou resmungona. Não sei, talvez nem tenha razão para estar deprimida, mas o assunto chateia-me bastante. Ando eu a ver hi5's das miudas wannabes do montijo e arredores, e vejo semelhanças em todos. Não, não é na maneira de vestir, isso já toda a gente se apercebeu. É o facto de do momento para o outro, todas irem para um grupo qualquer de dança. Do nada aperceberam-se que gostavam de dançar e foram para X grupo ? Não é facto de elas irem que me chateia, mas sim se elas gostam, o que eu duvido mesmo. Será que sabem o que é dança ? A todas elas deixo este texto:

Dança.
Mas afinal o que é a dança? Movimento? Sim, mas também a alegria desse movimento. O que esse movimento significa para nós. Bailarino que é bailarino sente cada movimento que executa, e pede sempre mais. O tempo nunca é suficiente para um bailarino para mostrar todo o seu talento. Um bailarina dança sempre no palco, tanto fisicamente como psicologicamente, ou seja, pode estar a dançar na rua, mas imagina-se no palco. O palco tem que ser a sua casa. Atenção que palco não tem sentido real. Palco pode ser a sala. O quarto. Palco é onde nos sentimos experientes do que fazemos. Bailarino não dança para agradar os outros, dança para agradar a si mesmo. Um bailarino não é 100% talento, é 10% talento, 90% dedicação. Um bailarino nao se torna melhor com a formação clássica. Torna-se melhor com a sua força de vontade, com o seu coração.

Não sei se foi o justin bieber ou os morangos com acuçar que vos meteram com esta ideia da dança, mas pensem bem no que estão a fazer, se é isto que querem e que sentem. E agora vou despachar-me para ir para as festas do montijo. bye bye

Catarina.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Parte 3

E eu fui.

Abri o pão e meti uma sande mista, mas não tinha força suficiente para fechar a tostadeira. O meu pai apercebeu-se da dificuldade e chateou-se. Mas foi mesmo a sério.

"Tens de fechar assim"

E fechou-a. Pena não ter fechado com a tosta lá dentro, mas sim os meus dedos. Ele estava mesmo fulo. Secalhar até merecia que ele queimasse os meus dedos. Mas tive de gritar.

"Chiça que tu és mesmo burra"

Nem falei. Apenas me sentei na sala. A minha mãe estava estática ao meu lado. Ficamos assim durante uns bons vinte minutos.

"Isto não pode continuar assim" - dizia ela - "Não pode."

Mas continua. Continua sempre. Ela deixa-o fazer-me isto. Ela levantou-se e ficou a tarde inteira a pensar, e até um bocado da noite.

"Vamos embora, agora."

Ela pegou na minha mão, e saimos as duas de casa. Andamos uma hora a pé, até chegarmos a uma pensão, das mais baratas da cidade.

"Como é que aguentas isto filha ?"

"Só tenho 7 anos mãe, não sei o que se passa."

"Um dia explico-te, quando fores mais velha."

"Mas e se eu quiser saber agora ?"

Ela apagou as luzes e disse "Até manhã , eu gosto muito de ti."