sexta-feira, 4 de junho de 2010

Parte 3

E eu fui.

Abri o pão e meti uma sande mista, mas não tinha força suficiente para fechar a tostadeira. O meu pai apercebeu-se da dificuldade e chateou-se. Mas foi mesmo a sério.

"Tens de fechar assim"

E fechou-a. Pena não ter fechado com a tosta lá dentro, mas sim os meus dedos. Ele estava mesmo fulo. Secalhar até merecia que ele queimasse os meus dedos. Mas tive de gritar.

"Chiça que tu és mesmo burra"

Nem falei. Apenas me sentei na sala. A minha mãe estava estática ao meu lado. Ficamos assim durante uns bons vinte minutos.

"Isto não pode continuar assim" - dizia ela - "Não pode."

Mas continua. Continua sempre. Ela deixa-o fazer-me isto. Ela levantou-se e ficou a tarde inteira a pensar, e até um bocado da noite.

"Vamos embora, agora."

Ela pegou na minha mão, e saimos as duas de casa. Andamos uma hora a pé, até chegarmos a uma pensão, das mais baratas da cidade.

"Como é que aguentas isto filha ?"

"Só tenho 7 anos mãe, não sei o que se passa."

"Um dia explico-te, quando fores mais velha."

"Mas e se eu quiser saber agora ?"

Ela apagou as luzes e disse "Até manhã , eu gosto muito de ti."

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