Secalhar está na altura de eu crescer um bocado para perceber estas situações de adultos. Não passo de uma inútil.
A minha mãe continua ali deitada. Acho que nem lhe apetece levantar-se. Para que? Não lhe servia de nada. Secalhar devia ajudar-lhe.
"Não sejas estupida, só tens 7 anos" - dizia a minha consciencia.
E tinha razão. Ia ajudar em que? Secalhar é melhor ir para o meu quarto, e fechar-me. Passo por ela como se fosse um móvel. Nem olho para ela, vou a correr para o quarto e enfio-me na cama. Deixei-me dormir, durante a noite toda. Sim , tive pesadelos.
"Oh possas, outra vez não!" - pensava eu - "sou sempre a mesma coisa"
Tinha feito chichi na cama. Faço quase todos os dias, o que deixa o meu pai ainda mais irritado e com vontade de me bater. Inútil, inútil. Ouvi a porta de casa, senti um arrepio na espinha. Será ele? Saio do quarto e vou espreitar pelas escadas. Ufa, era só a minha mãe, a vir do pão. Um cheiro a pão quente espalha-se pela casa, mas rapidamente desaparece, com o cheiro a alcóol. O meu pai chegou.
"Faz-me uma tosta"- disse ele.
Até fiquei descançada, significava que não ia ao meu quarto.
"Agora não posso" - disse ela.
"Eu posso fazer.." - disse eu, com medo.
Silêncio.
"Rápido"
E eu fui.
domingo, 30 de maio de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Parte 1
Oiço a porta do carro a abrir, e de seguida a fechar. Consigo ouvir os passos pesados, em direcção à porta. A chave entra na fechadura, e roda 3 vezes. Eu continuo escondida, a ver. Ele entra, e ela vai ter com ele para lhe arrumar o casaco. Ele dá-lhe um beijo nos lábios, mas ela vira a cara, com ar de chateada. Suspiro para ver o que acontece. Ele pega-lhe no braço, apertando-o com força.
"Não me voltes a virar a cara, estás a ouvir?"
"Sim" - diz ela, com um ar assustado.
Eu não entendia o que se passava, era demasiado nova. Sentia uma lágrima pelo o meu rosto. Tirei uma mão do chão para a limpar, o que me fez desiquilibrar, e cair, mostrando a minha presença aqueles dois seres.
"Tu? Mas o que é que tu estás aqui a fazer?"-disse ele.
"Eu?.. Nada.. estava a brincar."
"Sua burra, vai para o teu quarto!"
"Ela é tua filha, não lhe trates assim!"-dizia ela.
"Nunca me digas como lhe devo tratar!"
E começou a rotina. Vejo-o a levantar a mão para ela, de modo a lhe acertar mesmo em cheio na sua bochecha esquerda. Ela cai, a chorar. Porque isto? Ele volta a pegar no casaco e sai.
"Não esperes por mim."
Foi para aquele sitio onde se bebe. Aquele sitio mau, que lhe faz chegar alterado a casa. Que lhe faz ir ao meu quarto e bater-me, apenas porque sim. Um dia pergunto-lhe o porque disto. Só conseguia olhar para a minha mãe, com a face negra e a dizer "não aguento mais, eu não aguento mais".
Secalhar está na altura de eu crescer um bocado para perceber estas situações de adultos. Não passo de uma inútil.
"Não me voltes a virar a cara, estás a ouvir?"
"Sim" - diz ela, com um ar assustado.
Eu não entendia o que se passava, era demasiado nova. Sentia uma lágrima pelo o meu rosto. Tirei uma mão do chão para a limpar, o que me fez desiquilibrar, e cair, mostrando a minha presença aqueles dois seres.
"Tu? Mas o que é que tu estás aqui a fazer?"-disse ele.
"Eu?.. Nada.. estava a brincar."
"Sua burra, vai para o teu quarto!"
"Ela é tua filha, não lhe trates assim!"-dizia ela.
"Nunca me digas como lhe devo tratar!"
E começou a rotina. Vejo-o a levantar a mão para ela, de modo a lhe acertar mesmo em cheio na sua bochecha esquerda. Ela cai, a chorar. Porque isto? Ele volta a pegar no casaco e sai.
"Não esperes por mim."
Foi para aquele sitio onde se bebe. Aquele sitio mau, que lhe faz chegar alterado a casa. Que lhe faz ir ao meu quarto e bater-me, apenas porque sim. Um dia pergunto-lhe o porque disto. Só conseguia olhar para a minha mãe, com a face negra e a dizer "não aguento mais, eu não aguento mais".
Secalhar está na altura de eu crescer um bocado para perceber estas situações de adultos. Não passo de uma inútil.
Amo-te.
"Open my eyes
I realize
this is my perfect day"
Gostava que tivesses ao meu lado agora, na minha cama. Que os teus braços envolvessem o meu corpo, de modo a sentir o toque das tuas mãos na minha pele. Que me beijasses o rosto enquanto eu sentia a tua respiração, embalada no teu berço. Gostava que estivesses aqui para sussurrares ao meu ouvido "amo-te catarina", e eu adormecer ao teu lado, para depois acordar com um beijo teu. Seria uma noite em que iria dormir perfeitamente ao saber que estavas ao meu lado, a protejer-me. Fica comigo. Amo-te.
"Sabes o tamanho todo do universo ? O meu amor por ti é maior"
p.s. este texto foi dedicado a uma pessoa muito especial para mim , e essa pessoa sabe que está dedicado.
I realize
this is my perfect day"
Gostava que tivesses ao meu lado agora, na minha cama. Que os teus braços envolvessem o meu corpo, de modo a sentir o toque das tuas mãos na minha pele. Que me beijasses o rosto enquanto eu sentia a tua respiração, embalada no teu berço. Gostava que estivesses aqui para sussurrares ao meu ouvido "amo-te catarina", e eu adormecer ao teu lado, para depois acordar com um beijo teu. Seria uma noite em que iria dormir perfeitamente ao saber que estavas ao meu lado, a protejer-me. Fica comigo. Amo-te.
"Sabes o tamanho todo do universo ? O meu amor por ti é maior"
p.s. este texto foi dedicado a uma pessoa muito especial para mim , e essa pessoa sabe que está dedicado.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
o menino africano ?
O menino africano
Queria ter chuva
queria ter água
Para lhe apagar aquela mágoa
O menino de África.
O menino africano
certo dia acordou
olhou para o ceu cinzento
um pingo à sua cara chegou.
"Será água?"
interroga-se o menino africano
"Será que é agora que apago a tal mágoa?"
dizia o menino de África.
A felicidade espalhou-se
mas de repente desapareceu
pois outro menino africano
com falta de água morreu.
O menino africano
começou a chorar
e as suas lágrimas
resolveram apanhar.
"Não querias água?
Não tinha sede?
Apaga a tal mágoa
que tanto te prende"
"De que vale ter água
se não tenho o meu amigo
apago a minha antiga mágoa
mas o meu coração ficou perdido"
Queria ter chuva
queria ter água
Para lhe apagar aquela mágoa
O menino de África.
O menino africano
certo dia acordou
olhou para o ceu cinzento
um pingo à sua cara chegou.
"Será água?"
interroga-se o menino africano
"Será que é agora que apago a tal mágoa?"
dizia o menino de África.
A felicidade espalhou-se
mas de repente desapareceu
pois outro menino africano
com falta de água morreu.
O menino africano
começou a chorar
e as suas lágrimas
resolveram apanhar.
"Não querias água?
Não tinha sede?
Apaga a tal mágoa
que tanto te prende"
"De que vale ter água
se não tenho o meu amigo
apago a minha antiga mágoa
mas o meu coração ficou perdido"
Subscrever:
Comentários (Atom)