Secalhar está na altura de eu crescer um bocado para perceber estas situações de adultos. Não passo de uma inútil.
A minha mãe continua ali deitada. Acho que nem lhe apetece levantar-se. Para que? Não lhe servia de nada. Secalhar devia ajudar-lhe.
"Não sejas estupida, só tens 7 anos" - dizia a minha consciencia.
E tinha razão. Ia ajudar em que? Secalhar é melhor ir para o meu quarto, e fechar-me. Passo por ela como se fosse um móvel. Nem olho para ela, vou a correr para o quarto e enfio-me na cama. Deixei-me dormir, durante a noite toda. Sim , tive pesadelos.
"Oh possas, outra vez não!" - pensava eu - "sou sempre a mesma coisa"
Tinha feito chichi na cama. Faço quase todos os dias, o que deixa o meu pai ainda mais irritado e com vontade de me bater. Inútil, inútil. Ouvi a porta de casa, senti um arrepio na espinha. Será ele? Saio do quarto e vou espreitar pelas escadas. Ufa, era só a minha mãe, a vir do pão. Um cheiro a pão quente espalha-se pela casa, mas rapidamente desaparece, com o cheiro a alcóol. O meu pai chegou.
"Faz-me uma tosta"- disse ele.
Até fiquei descançada, significava que não ia ao meu quarto.
"Agora não posso" - disse ela.
"Eu posso fazer.." - disse eu, com medo.
Silêncio.
"Rápido"
E eu fui.
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